Hoje eu completo oficialmente 18 anos. Nem consigo acreditar que já faz tanto tempo que eu me imaginava com essa idade, e ficava ansiosa. Hoje, sinceramente, não sou metade do que eu imaginava que seria, mas isso não é novidade. A menina se imaginando tão adulta e independente, com apenas 18 anos. É a maior idade, e a parti de hoje, judicialmente, sou responsável pelos meus atos. Já posso trabalhar, já posso dirigir, já posso comprar cigarros e bebida, já posso entrar em boates, já posso assistir filmes adultos, já posso baixar pornografia, já posso ser presa, já posso posar nua, já posso entrar num motel, já posso me casar, já posso viajar sozinha, já posso adotar um filho, já posso me candidatar, já posso fazer cartões de crédito, já posso ter um nome à zelar, já posso praticamente tudo, mas provavelmente não farei quase nada.Ter 18 anos é um máximo quando você tem 15 ou menos, quando você realmente alcança seus 18, se toca que tudo que você planejou e fantasiou, só foram planos e fantasias.
Eu me imaginava totalmente adulta, peitos, quadril e coxas grandes, organizada e responsável, como minha mãe foi, e todo o resto. Mas eu sou só uma menina, por dentro e por fora. Pra quê poder viajar sozinha, adotar um filho, dirigir, e trabalhar, se a minha mentalidade me impede de me tornar independente. Isso não é bom, eu odeio isso em mim. Sempre morei no interior, minha mãe e meu pai sempre foram do tipo que protege, mas que não prende (um pouco), e eu nunca me aflorei. Hoje, sonho em morar sozinha, ter as minhas coisas, meu dinheiro, e meus problemas, mas como? como se eu não aprendi a crescer e ser alguém? como se pra tudo eu penso primeiro nos meus pais, e depois em mim?
Eu me sinto incompleta, tenho vontade de sair de casa e construir minha vida sozinha, mas tenho vergonha de falar até com o moço do quiosque. Parecem coisas diferentes, mas não é. Ser independe exige primeiro de você, socialismo e desenvoltura. Sim, pra ser sozinho, você precisar ser social e saber como agir nas diferentes situações. Ser capaz de conversar, aprender, ensinar, questionar, e concluir, e pra isso, você precisa de outras pessoas. Moramos em uma sociedade necessariamente social, para o pesadelo dos sociopatas.
Eu tenho medo, muito medo, do tempo passar e eu nunca mudar, de chegar aos 21, ou 23, ou mais velha, e me dar conta que eu sou exatamente a mesma nas mesmas condições. Não sair de casa, não me formar, não me tornar independente, ser alguém, ser a Flávia Duarte, e não a filha de fulano e sicrano. Rezo pra tomar jeito, confio que quando eu entrar na faculdade eu vou aflorar, crescer, amadurecer de fato, e sentir pela primeira vez, orgulho de mim mesma. Dessa vez, não vai ser por coisas ínfimas.